Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?
Porque a distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo. Apaga o pequeno, inflama o grande.
Ovelha Negra
Quando era pequena, havia uma feirinha em Teresópolis. Como a maioria das crianças, era a maior alegria ir na parte onde vendia os cachorrinhos, ainda mais porque eu nunca tive nenhum. Chegava em um entusiasmo que até os vendedores dos cachorrinhos ficavam com medo dos filhotinhos serem esmagados.
Foi lá, nessa feirinha em 13 de dezembro de 2001, que encontramos o primeiro amorzinho de nossas vidas.
Eu fui a primeira a pegar claro, como também peguei os outros milhares de filhotes que existiam ali.
Dolly, a ovelhinha negra da família, era muito linda. Era pretinha com o peito e as pontinhas das patas branquinhas. Sem falar nos seus olhos de forma amendoadas que te tirava o fôlego se ficasse mais de três segundos olhando para eles.
Mas quando minha mãe a pegou no colo, foi amor a primeira lambida. A poodlezinha não parava de escalar seu corpo pra conseguir alcançar o nariz, a orelha, a bochecha, etc, pra poder beijar a futura dona. Então não teve dúvidas, era ela mesmo ‘A’ cachorra.
E realmente estávamos certos. Cresci vendo ela apresentar seus truquezinhos aos outros. Sabia rolar, sentar, cantar, dançar, fingir de morto, dar a pata, sabia até o que era direita e esquerda, pegava os pregadores que caiam no chão, as roupas q caiam do cesto, e se via alguém chorando, ela corria pra dar beijos.
Mas um dia vimos que ela não estava tão feliz assim e ficava meio parada. Então decidimos ter um outro filhote na casa. E não deu outra. Compramos Yuuki, a MINHA paixão a primeira lambida.
Yuuki é levada então não deixava Dolly descansar, nem deixava ela ficar triste. Dolly amava Yuuki embora enchesse a sua paciência.
Dolly estava feliz de novo, alegre, bonita, viva.
Mas então a idade pesou de novo e agora estou aqui escrevendo como ela me faz falta. Eu sei que ela foi em paz e que foi o melhor pra ela. Tanto eu, meus pais e Yuuki fizemos de tudo pra que ela fosse feliz, e ela foi. Meu Deus, como amava essa cachorra. Não só eu, mas ela conseguia que todos que a conhecesse amasse ela também. Então é isso…
Só queria falar que Dolly foi uma grande irmã, filha, tia (da Yuuki), consoladora e nunca vou me esquecer disso. Porque, afinal de contas, a primeira a gente nunca esquece!
Dolly ♥
PRETO E BRANCO - de Fernando Sabino
Perdera emprego, chegara a passar fome, sem que ninguém soubesse: por constrangimento afastara-se da roda boêmia que antes costumava frequentar - escritores, jornalistas, um sambista de cor que vinha a ser seu mais velho companheiro de noitadas.
De repente, a salvação lhe apareceu na forma de um americano, que lhe oferecia emprego numa agência. Agarrou-se com unhas e dentes à oportunidade, vale dizer, ao americano, para garantir na sua nova função uma relativa estabilidade.
E um belo dia vai seguindo com o chefe pela Rua México, já distraídos de seus passados tropeços, mas, tropeçando obstinadamente no inglês com quem se entendiam - quando vê do outro lado da rua um preto agitar a mão para ele.
Era o sambista seu amigo.
Ocorreu-lhe desde logo que ao americano poderia parecer estranha tal amizade, e mais tarde: incompatível com a ética ianque a ser mantida nas funções que passara a exercer. Lembrou-se num átimo que o americano em geral tem uma coisa muito séria chamada preconceito racial e seu critério de julgamento da capacidade funcional dos subordinados talvez se deixasse influir por essa odiosa deformação. Por via das dúvidas, correspondeu ao cumprimento de seu amigo da maneira mais discreta que lhe foi possível, mas viu em pânico que ele atravessa a rua e vinha em sua direção, sorriso aberto e braços prontos para um abraço.
Pensou rapidamente em se esquivar - não dava tempo: o americano também se detivera, vendo o preto aproximar-se. Era seu amigo, velho companheiro, um bom sujeito, dos melhores mesmo que já conhecera – acaso jamais chegara sequer a se lembrar de que se tratava de um preto? Agora, com o gringo ali ao seu lado, todo branco e sardento, é que percebia pela primeira vez: não podia ser mais preto. Sendo assim, tivesse paciência: mais tarde lhe explicava tudo, haveria de compreender. Passar fome era muito bonito nos romances de Knut Hamsun, lidos depois do jantar, e sem credores à porta. Não teve mais dúvidas: virou a cara quando o outro se aproximou e fingiu que não o via, que não era com ele.
E não era mesmo com ele.
Porque antes de cumprimentá-lo, talvez ainda sem tê-lo visto, o sambista abriu os braços para acolher o americano - também seu amigo.
Ismália
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
-ALPHONSUS DE GUIMARAENS
Só o começo…
Você é um pote de biscoito em cima da geladeira.
Eu sou uma criança sentada numa cadeira.
Você é o veneno e ao mesmo tempo a cura.
Eu estou sozinha nessa jornada e ainda estou viva…
Joguei minhas cartas.
Apostei meu coração.
Nada mais faz sentido.
Eu tento abrir os olhos.
Só estou esperando a chance de fazer isso certo.
Subo na cadeira.
Estou com tanto medo. Estou no escuro.
Tudo está de cabeça pra baixo.
Não consigo parar. Ninguém pode me parar agora.
Mas vou sobreviver. Mais uma vez.
Quando o mundo desabar e eu atingir o chão.
Vou dar um jeito, vou me virar. Não vou chorar.
Porque quando se acha que é o fim… É porque apenas está começando!
- Nicolle M.
“I’m waiting for that final moment
You’ll say the words that I can’t say”
Como posso ter medo de perder alguém se esse alguém nem me pertence?